
Relatório de tráfego pago tem fama de ser uma sopa de siglas. Alcance, impressões, CTR, CPM, CPC, CPL, CPA, ROAS. Quase todas essas coisas existem por um bom motivo, mas só algumas deveriam mandar na sua decisão. Vamos separar.
As que mostram o caminho (diagnóstico)
CPM é o custo para exibir o anúncio mil vezes. Se ele sobe de repente, normalmente é sinal de concorrência maior ou de público saturado.
CTR é a porcentagem de pessoas que viram e clicaram. Um CTR baixo costuma indicar que o criativo ou a oferta não chamaram atenção. Mas um CTR alto sozinho não prova nada: clique de curioso conta igual a clique de comprador.
CPC é o custo por clique. Útil para comparar anúncios entre si, perigoso quando vira objetivo. Dá para conseguir cliques baratíssimos de gente que nunca vai comprar.
Essas três são lentes de diagnóstico. Ajudam a descobrir onde está o problema, mas não dizem se o negócio está ganhando dinheiro.
As que importam para o caixa
CPL (custo por lead) é o investimento dividido pelo número de contatos gerados. Se você gastou R$ 1.000 e recebeu 50 mensagens, o CPL foi R$ 20. É a métrica central para quem vende por contato, como serviços, clínicas e escritórios.
CPA (custo por aquisição) e CAC (custo de aquisição de cliente) contam algo mais honesto: quanto custou fechar uma venda, e não só receber um contato. Se esses mesmos 50 leads viraram 5 clientes, o custo por cliente foi R$ 200. Um CPL baixo com fechamento péssimo é uma armadilha comum.
ROAS (retorno sobre o gasto com anúncios) é a receita gerada dividida pelo investimento. Gastou R$ 1.000 e vendeu R$ 4.000 por causa daquela campanha? ROAS 4. É a métrica favorita do e-commerce, onde a venda acontece no site e a plataforma consegue medir.
Um exemplo para ligar os pontos
Imagine uma clínica que gasta R$ 2.000 por mês e recebe 80 contatos, CPL de R$ 25. Parece bom. Mas só 8 pessoas agendam e 5 comparecem. O custo por paciente que de fato apareceu é R$ 400. Se a consulta rende R$ 300 e o tratamento costuma render mais, a conta pode fechar. Se for consulta avulsa, não fecha, por mais bonito que o CPL pareça.
Esse tipo de cálculo muda a conversa. Em vez de brigar por um CPL menor, talvez o problema esteja na qualidade dos leads ou no atendimento. Já falamos disso em por que seus anúncios não vendem.
Cuidado com o ROAS que a plataforma mostra
O ROAS dentro do gerenciador de anúncios depende do rastreamento configurado, e as plataformas atribuem vendas com janelas e regras próprias. Duas ferramentas podem contar a mesma venda de formas diferentes, e algumas vendas nunca são atribuídas por perda de dados. Por isso vale cruzar com o que entra de fato no caixa ou no CRM, pelo menos uma vez por mês. O artigo sobre pixel e API de conversões mostra como deixar o rastreamento mais confiável.
E o LTV?
O valor do cliente ao longo do tempo (LTV) muda o que é um CAC aceitável. Uma assinatura de R$ 100 por mês que dura um ano justifica pagar bem mais por cliente do que uma venda única de R$ 100. Se o seu negócio tem recompra, olhar só a primeira venda é injusto com o anúncio.
Para guardar: use CTR, CPM e CPC para investigar. Use CPL, CAC e ROAS para decidir. Se uma métrica não consegue mudar uma decisão sua, provavelmente não precisa estar no seu relatório.


